14/11/2025

      Salve mizifius! É com muita honra que esse pai preto vem troca um dedinho de prosa co seis. Apergunta a quarque pessoa sobre o que cada um acha de sua propria fé é bastante interessante.

      Vejam bem, quando eu ainda estava em terra vivendo na época da escravidão, e sim, eu realmente fui escravo em um engenho, nos vivíamos meio como bicho mermu, os sinhôzinhos nos viam como coisas e muitas vezes a gente apanhava apenas para divertir algum convidado ou quando ele estava bravo descontava em quantos podia.

      Foi uma vida muito dura, de muito choro, de muito desespero de muita morte, a raiva e o ódio eram nossas duas companheiras do dia a dia, e a morte, a essa rezávamos sem parar para nos libertar de tanto desespero. Mas nem só de trágedias e dias escuros a gente vivia, o que acalantava os nossos corações eram as rezas do branco ensinada a força para a gente. No começo a maioria duvidava muito dessa religião que nos foi imposta, muitos preferiram ser mutilados na chibata a abandonar suas crenças e outros como eu aprendemos a trabaia nas duas correntes.

      Da religião do branco aprendemos a história de uma senhora que tinha um fio e esse fio pregava somente o amor e a caridade, aprendemos que essa senhora tinha um enorme coração e que ela não se importava com a sua cor se você ou eu erámos escravos ou não, ela só sabia amar. Recebemos um rosário e aprendemos a reza dos brancos e vimos que esse rosário também poderia ser usado em conjunto com as nossas crenças, pois a gente sabe que o que funciona não é todo aquele palavreado repetido, mas a intenção que sai do coração, então a nossa mironga também podia ser feita mesmo com outras palavras.

      E caso vois micê não saiba, o terço de um preto véio e de preta véia vira prus dois lado, ora fazendo o bem e a caridade e ora punindo aqueles qui mereci ou nos dando defesa contra muitos males. Sim fios, vamos para de fantasiar e cria lendas sobre uma realidade que não existe, em tudo nessa criação de DEUS tem o positivo e o negativo, o bem e o mal e entre esses dois só depende da posição que çuncê oia.

      Hoje eu trabaio na linha das almas, com a graça de DEUS, pois apesar de tudo que eu vivi em toda aquela desgracêra eu e muitos outros pretos e pretas, aprendemos a amar e a perdoar e principarmente lutar contra o nosso próprio ódio. No astral fomos apresentados a uma religião nova que se chamava umbanda e conhecemos muitos médiuns que lutaram para fazer com que nós os escravos, os índios entre outros desafortunados sem esperança, pudesse nos religar a luz, e realmente nóis adescobrimos que o fio daquela senhora o senhor Jesuis ele realmente existiu, sua mãe no mundo espritual é viva e luta e intercede DE VERDADE POR TODOS NÓS!



      Então eu falo pra çuncê que a umbanda para mim foi uma libertação e cura, a minha paga é quando o fio ao quar eu trabaio faz as reforma intima, se apercebe das fraquezas e vícios e luta pra se apruma perante DEUS, dai vem a minha paga que é poder me elevar mais e mais e com isso me aproximar mais de DEUS. Nóis num carece de bebida e nem de fumo, mas da correção daqueles que nos buscam e tem fé nas nossas rezas, benzimentos e ervas. Mas nóis tumbem sabe acorrigir fio e fia rebeldi, a gente corrige enquanto ama e ainda enquanto dá, mas se quizé si adesgarra pro mundo do pecado, nóis deixa ir embora, chorando, mas deixa, somente quando vier o verdadeiro sofrimento eles se arrepende, e nóis vai tá lá para da mão e arresgata! Pois essa é a missão da umbanda, religião dada por DEUS a toda a humanidade.

      Mizifius contei um cadinho da minha história, então reflita sobre a sua e responda pra esse pai preto O QUE É A UMBANDA PRA ÇUNCÊ?

Pai Joaquim